Acessibilidade digital: Como incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho

A pandemia de covid-19 acelerou as mudanças no mercado de trabalho abrindo milhares de oportunidades, principalmente, aquelas ligadas às áreas de tecnologia. Com o avanço das relações trabalhistas, também, houve uma percepção que é preciso incentivar e promover um mundo laboral mais inclusivo, aumentando a diversidade no ambiente de trabalho e investindo na acessibilidade digital. No entanto, as barreiras digitais são ameaças às pessoas com deficiência e podem agravar ainda mais a desigualdade que já existe no mercado de trabalho.

 

O Brasil tem cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, segundo os dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, porém, apenas 1% desse grupo está inserido no mercado formal com carteira assinada. Em grande parte, essas pessoas ainda estão excluídas do mercado devido à falta de serviços disponíveis para esse grupo. Entre os motivos, é possível apontar a falta de vagas específicas para pessoas com deficiência e uma forte resistência por parte das empresas em contratá-las. Segundo uma pesquisa da consultoria i.Social, os principais obstáculos ao processo de inclusão são a ausência de acessibilidade, baixa qualificação dos candidatos e falta de preparo dos gestores.

 

Para tornar o mercado laboral mais inclusivo, principalmente, nas empresas que lidam com tecnologia, é preciso tornar o ambiente mais acessível, esse é o primeiro passo, porém, ainda é um grande desafio para muitas empresas. Essa barreira física desestimula quem está em busca de uma vaga e, naturalmente, impõe uma barreira no momento da contratação. As empresas também devem repensar suas ferramentas internas, com recursos e serviços que contribuem para ampliar o acesso desses colaboradores. Nesse ponto, a tecnologia assistida pode facilitar esse processo, pois auxilia na autonomia para os profissionais desempenharem suas tarefas independentemente da deficiência.

 

Outro problema que deve ser revisto são os processos seletivos que se iniciam no espaço digital, que se intensificou, principalmente, após a pandemia de Covid-19. Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da pessoa com deficiência foi sancionada pelo governo Federal tornando obrigatória a acessibilidade de sites da internet. No entanto, seis anos depois, o Brasil continua atrasado. Estima-se que apenas 1% dos sites são totalmente acessíveis, segundo um levantamento realizado pelo movimento Web para Todos. Essa falta de acessibilidade cria barreiras dificultando a participação dos candidatos logo no início.

 

Para resolver boa parte desses problemas que dificultam a inclusão da pessoa com deficiência, as empresas precisam entender a importância de se investir em um ambiente de trabalho diverso. Com a ajuda de consultorias que atuam em várias áreas é possível fazer uma mudança no ambiente de trabalho e fornecer os recursos necessários para promover a inclusão. Também é preciso incentivar e garantir maneiras para que o colaborador consiga se capacitar para desempenhar suas funções. Se a mão de obra não é qualificada, essa pode ser uma excelente oportunidade de investir na qualificação do profissional.

 

As empresas precisam olhar com mais atenção para esse mercado e entender a importância de promover a acessibilidade digital. É necessário implantar mudanças e adaptar o ambiente para incluir as pessoas com deficiência. Há milhares de profissionais valiosos no mercado à espera de uma oportunidade e, muitos outros, que necessitam de capacitação para ingressarem no mercado. Esse movimento deve começar de cima e transformar ações em exemplos que vão ecoar entre os colaboradores. 


 

* Sandra Turchi é Sócia-diretora da Digitalents (www.digitalents.com.br). Consultora e palestrante sobre Marketing Digital e E-commerce. Professora nos MBAs da FGV, FIA e ESPM, onde coordena cursos na área digital desde 2008. Foi eleita uma das profissionais de marketing mais atuantes nas mídias sociais no mundo, pela SMMagazine, dos EUA. Foi executiva de Marketing por mais de 20 anos, tendo atuado em diversos segmentos de mercado. Bacharel em Administração pela USP, pós-graduada pela FGV e MBA pela BSP e Toronto University, cursou também empreendedorismo na Babson de Boston.

Autora do livro Estratégias de Marketing Digital e E-commerce, lançado pela editora Atlas e do blog www.sandraturchi.com.br, além de ser articulista de diversos portais.

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